POR: PAULO ANDRÉ DOS SANTOS.
Parece até jingle, mas, trata-se apenas do desabafo de um torcedor emocionado. Depois de muitos anos amargando o ostracismo no cenário futebolístico nacional, o Bahia ressurge das cinzas para a elite do Brasileirão. Com um time insinuante e determinado, o tricolor baiano se lança diante dos adversários com ímpeto de campeão. Não há tempo ruim, mando de campo ou torcida adversária. Dentro ou fora de casa, não tem pra ninguém. Até a presente rodada, foram 15 jogos de um invejável aproveitamento. Com 11 vitórias e 4 empates, invicto, o Bahia reina absoluto na liderança do certame de 2012, mantendo 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, o time do Cruzeiro. Sei que já não temos o Bobô, o Charles ou o Beijoca, mas, atualmente, temos, em termos de equipe o elenco mais qualificado e equilibrado nos três setores de campo. Temos a melhor zaga, o meio campo mais aplicado taticamente e um setor de ataque de dar inveja aos times europeus. Hoje teremos mais uma partida no Pituaçu. Bahia e Palmeiras se enfrentam pela 16ª rodada do campeonato. O Palmeiras, que tenta sair da zona de rebaixamento, vem escalado com 3 atacantes. Melhor para o Bahia, pois, sabemos jogar melhor assim. Agora, a poucos minutos do início da partida, a fila dos ingressos, como já é tradição, está fazendo uma voltinha pelo estádio. Sobre forte calor e o desconforto da espera, a nação tricolor não desanima. Cantaremos “Êta! Bahia porreta” e sairemos do estádio eufóricos com mais uma expressiva vitória. Aqui na nossa casa, adversário não joga, nem dá pitaco. O “Baiaço” está chegando para dar o espetáculo que merecemos. A nossa vibração irá abalar as estruturas do time alvi-verde. Ele não suportarão a nossa pressão por 20 minutos, pois, após isso, show-de-bola com os pés, dentro de campo, e, com as mãos, no “olé” que vamos promover nas arquibancadas. Gritaremos: mais um Baêaaaaaaa!!! O mundo todo sentirá a vibração de uma torcida que ama o seu time, que sente o orgulho de ser baiana e que não arredará o pé do estádio até que a vitória esteja consolidada. Eram cinco e quinze da manhã, quando o relógio despertou. Tudo foi um sonho, um belo sonho. Eu estava encharcado de suor. Parecia que estava correndo sob forte sol na estrada... Vá entender. Com o ventilador ligado, eu não deveria estar tão aquecido e a casa é bastante arejada, de modo que, sobre isso, só tenho duas hipóteses: ou foi uma febre ou foi o ânimo de um torcedor em pleno sono.
Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
Domingo, 21 de Junho de 2009
Respeitável público...
POR: PAULO ANDRÉ DOS SANTOS.
Que decepção. De salto alto, desfilando para a platéia, tecia movimentos mágicos com os pés, que deixavam boquiabertos e eufóricos a todos que lhe observavam. Todo o mundo queria fazer as mesmas acrobacias, todos queriam se achar de bola-cheia. Ele caminhava, corria, driblava todos os obstáculos, até que chegava ao momento da glória. Nesse percurso, todos os expectadores gritavam, torciam, jogavam junto, assumiam a co-autoria da obra de arte desenhada. Infelizmente, até os jogadores de futebol são vítimas do peso da responsabilidade e da fama precoce. Conquistou tudo tão cedo. Saiu de uma vida humilde em Porto Alegre para o glamour estrondoso na cidade catalã. Antes disso, estreante na Seleção Brasileira, ofereceu ao mundo um pouco do que estaria por vir. Deu espetáculo, show de bola, esperanças futuras de glória para a seleção canarinho. Alguns, até perguntavam: “Quem é esse menino?”. Chegou à Espanha arrasando os times adversários, inclusive, o principal rival do Barcelona. Foram pelo menos dois anos de sucesso e alegria na torcida. Muitos lances antológicos, muitas jogadas inacreditáveis, a torcida se viciou em mágica. Passado algum tempo, o menino de Porto Alegre, sem carregar no espírito a alegria e o sabor da conquista, foi se tornando normal, a sua mágica foi se esvaindo, que apesar de ser tão precoce, parece que durou milhares de anos, assim como o brilho das estrelas. Perdeu a motivação de jogar no time, já não tinha mais desafios naquele lugar. Decidiu ir para Itália. Foi se tornar um milanês. Entrou para o time do poderoso Berlusconi, o não menos poderoso Milan F.C. Jogou com Kaká, com Pato, pareceu que iria “bombar”, mas, isso não aconteceu. O técnico o lançou na reserva, ficou ali esquecido, desprestigiado, sem cor, sem mágica, sem vida. Para 2010, ano de Copa do Mundo, o mágico anuncia o seu desejo de voltar a brilhar com os amarelos da Seleção. É uma missão difícil para qualquer jogador de potencialidades normais, mas, para um mago da bola, é uma questão de mágica e de platéia. Afinal, o que é isso, companheiro? Para que tanto fatalismo se até os magos tem os seus dias humanos aqui na terra. O Ronaldo-fenômeno já mostrou que é possível dar a volta por cima. Quem sabe mágica e fenômeno se misturem para conquistarem a última gloria com a canarinho, quem sabe tal fenômeno não ajude um mágico a recuperar os seus poderes. O povo brasileiro quer mais do que vitórias, quer ver espetáculo dentro das quatro linhas. Temos melhores jogadores do mundo, por isso, queremos o melhor futebol, também. Respiramos arte e pela arte vivemos. Em 2010, no entanto, independentemente de mágica ou de fenômeno, de espetáculo ou de pragmatismo, nós, brasileiros, de fé e de samba, com toda alegria, iremos propiciar mais um glorioso momento do Brasil nos gramados.
Que decepção. De salto alto, desfilando para a platéia, tecia movimentos mágicos com os pés, que deixavam boquiabertos e eufóricos a todos que lhe observavam. Todo o mundo queria fazer as mesmas acrobacias, todos queriam se achar de bola-cheia. Ele caminhava, corria, driblava todos os obstáculos, até que chegava ao momento da glória. Nesse percurso, todos os expectadores gritavam, torciam, jogavam junto, assumiam a co-autoria da obra de arte desenhada. Infelizmente, até os jogadores de futebol são vítimas do peso da responsabilidade e da fama precoce. Conquistou tudo tão cedo. Saiu de uma vida humilde em Porto Alegre para o glamour estrondoso na cidade catalã. Antes disso, estreante na Seleção Brasileira, ofereceu ao mundo um pouco do que estaria por vir. Deu espetáculo, show de bola, esperanças futuras de glória para a seleção canarinho. Alguns, até perguntavam: “Quem é esse menino?”. Chegou à Espanha arrasando os times adversários, inclusive, o principal rival do Barcelona. Foram pelo menos dois anos de sucesso e alegria na torcida. Muitos lances antológicos, muitas jogadas inacreditáveis, a torcida se viciou em mágica. Passado algum tempo, o menino de Porto Alegre, sem carregar no espírito a alegria e o sabor da conquista, foi se tornando normal, a sua mágica foi se esvaindo, que apesar de ser tão precoce, parece que durou milhares de anos, assim como o brilho das estrelas. Perdeu a motivação de jogar no time, já não tinha mais desafios naquele lugar. Decidiu ir para Itália. Foi se tornar um milanês. Entrou para o time do poderoso Berlusconi, o não menos poderoso Milan F.C. Jogou com Kaká, com Pato, pareceu que iria “bombar”, mas, isso não aconteceu. O técnico o lançou na reserva, ficou ali esquecido, desprestigiado, sem cor, sem mágica, sem vida. Para 2010, ano de Copa do Mundo, o mágico anuncia o seu desejo de voltar a brilhar com os amarelos da Seleção. É uma missão difícil para qualquer jogador de potencialidades normais, mas, para um mago da bola, é uma questão de mágica e de platéia. Afinal, o que é isso, companheiro? Para que tanto fatalismo se até os magos tem os seus dias humanos aqui na terra. O Ronaldo-fenômeno já mostrou que é possível dar a volta por cima. Quem sabe mágica e fenômeno se misturem para conquistarem a última gloria com a canarinho, quem sabe tal fenômeno não ajude um mágico a recuperar os seus poderes. O povo brasileiro quer mais do que vitórias, quer ver espetáculo dentro das quatro linhas. Temos melhores jogadores do mundo, por isso, queremos o melhor futebol, também. Respiramos arte e pela arte vivemos. Em 2010, no entanto, independentemente de mágica ou de fenômeno, de espetáculo ou de pragmatismo, nós, brasileiros, de fé e de samba, com toda alegria, iremos propiciar mais um glorioso momento do Brasil nos gramados.
Quinta-feira, 11 de Junho de 2009
As flores que não te dei...
POR: PAULO ANDRÉ DOS SANTOS.
Tudo poderia ter sido perfeito. Amor, amada e amante coexistiam, completavam-se como se fossem as notas de uma bela melodia. Céu e mar, noite e estrelas, beijos e lábios, uma comunhão belíssima entre dois que formam um só. Ao ressuscitar os amores do passado, jazidos na memória e no coração, fica-nos, muitas vezes, a nostálgica sensação de que poderia ter sido melhor. Como diz a emblemática canção dos Titãs, “Epitáfio”, “...Devia ter amado mais...ter aceitado as pessoas como elas são...”. Ao rememorar o passado – que, em não raras ocasiões, nos é dolorido – sentimos o amargo fel do arrependimento. É triste passar “em branco” pelas páginas da vida, diriam todos aqueles que se esqueceram de viver. Algumas vezes, lamentamos as flores que não demos, as palavras que (não) dissemos, o amor que não revelamos, por medo, ou, simplesmente, por um ignorado egoísmo. As escolhas que fizemos, entendendo serem as melhores para a nossa felicidade, foram como assinaturas em um papel em branco. Donos de si, na verdade, não tínhamos o controle das ações, não tínhamos o olho nas consequências. Não percebemos, naquele momento, que eram muito frágeis as garantias e, que, notavelmente, haveria um preço alto a pagar. Agora, daqui do cemitério de Nossa Senhora do Ó, no Alto da Gameleira, avistando, abaixo, um viveiro de peixes, e, contemplando, ao longe, a imensidão do mar azul, damo-nos conta de que acabamos pagando o que queríamos com o que, na verdade, já tínhamos, a felicidade.
Tudo poderia ter sido perfeito. Amor, amada e amante coexistiam, completavam-se como se fossem as notas de uma bela melodia. Céu e mar, noite e estrelas, beijos e lábios, uma comunhão belíssima entre dois que formam um só. Ao ressuscitar os amores do passado, jazidos na memória e no coração, fica-nos, muitas vezes, a nostálgica sensação de que poderia ter sido melhor. Como diz a emblemática canção dos Titãs, “Epitáfio”, “...Devia ter amado mais...ter aceitado as pessoas como elas são...”. Ao rememorar o passado – que, em não raras ocasiões, nos é dolorido – sentimos o amargo fel do arrependimento. É triste passar “em branco” pelas páginas da vida, diriam todos aqueles que se esqueceram de viver. Algumas vezes, lamentamos as flores que não demos, as palavras que (não) dissemos, o amor que não revelamos, por medo, ou, simplesmente, por um ignorado egoísmo. As escolhas que fizemos, entendendo serem as melhores para a nossa felicidade, foram como assinaturas em um papel em branco. Donos de si, na verdade, não tínhamos o controle das ações, não tínhamos o olho nas consequências. Não percebemos, naquele momento, que eram muito frágeis as garantias e, que, notavelmente, haveria um preço alto a pagar. Agora, daqui do cemitério de Nossa Senhora do Ó, no Alto da Gameleira, avistando, abaixo, um viveiro de peixes, e, contemplando, ao longe, a imensidão do mar azul, damo-nos conta de que acabamos pagando o que queríamos com o que, na verdade, já tínhamos, a felicidade.
Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
Violência escolar: as ambiguidades e conflitos entre escola e sociedade
POR: PAULO ANDRÉ DOS SANTOS.
Atualmente, nos meios de comunicações, a escola vem sendo alvo de críticas e denúncias sobre a precarização de seu espaço e de sua ação pedagógica. Enquanto isso, os profissionais da escola reivindicam melhores condições de trabalho e mais reconhecimento. São falas conflituosas que emergem da sociedade e do seio da escola, que demonstram a complexidade do problema.
A violência dentro do espaço escolar exerce papéis que se protagonizam e colocam em cena uma escola ambígua, uma vez que, criadora e criatura da sociedade. Uma escola vista sob o ponto de vista das vozes que ecoam na sociedade como seleiro da exclusão cultural, social e econômica, mas, que, dentro dos seus muros, os seus agentes educadores choram o descaso e a vergonha a que estão submetidos.
A escola revela, nesse sentido, uma espécie de vitrine em que se expõe, em que se denuncia o quadro social existente. No entanto, seria injusto culpabilizar tão somente a escola pelo atual cenário que permeia a sociedade, embora, a educação do contexto capitalista brasileiro tenha servido mais às demandas exigidas pelo mercado, do que para a construção efetiva da cidadania.
De acordo com Foucault (2005), a escola se utiliza de procedimentos ritualizados de seleção, vigilância, controle e exclusão. Sobre isso, o autor ainda relata que o exame é um aspecto emblemático que representa e denuncia a reprodução na escola dos mecanismos de seleção e exclusão identificados na sociedade.
Se fosse possível analisar a relação entre escola e mercado como se ambos estivessem na condição de cartolas de um campeonato de luta, poderia-se dizer que a escola exerceria o papel de selecionar os lutadores, e, o Mercado, os vencedores. Como não há espaço para todos no podium, o que resta aos perdedores? A desonra, a constante humilhação através do descaso, a exclusão dos meios de afirmação pela vida produtiva, a invisisibilidade social.
No entanto, quando se fala de escola no contexto de protagonismo na gênese da violência, é prudente ressaltar que ela é apenas a ponta do iceberg, ou simplesmente, a engrenagem mais notável de um sistema. É preciso, antes de tudo, evitar uma condenação prévia e, talvez, atribuir uma responsabilidade que não é exclusiva da escola.
Para compreender essa problemática é necessário um mergulho mais profundo nas estruturas, para ir além do Sistema de Ensino, como por exemplo, chegar a perceber possíveis influências do Sistema Econômico em que está inserido o sistema de ensino.
De acordo com Morin (2005), é preciso situar as palavras em seu contexto para que adquiram sentido. Desse modo, como dito anteriormente, não é possível se enxergar a escola sem compreender que ela está hierarquicamente submetida a um sistema, que por conseguinte, está subordinado a outros sistemas e que, finalmente, atende aos interesses de determinados grupos dominantes e, por vezes, às reivindicações de outras categorias da sociedade, economicamente, enfraquecidas.
A escola se comporta ora se comporta como vítima (do sistema), ora como algoz (de alunos). Professores precarizados pela falta de formação adequada, baixos salários, carência de recursos e materiais para a realização do trabalho pedagógico, tudo isso, demonstra que a escola é alçada frente a sociedade como "testa de ferro" do sistema de ensino, que por sequência, revela-se submisso aos interesses do capital estrangeiro.
Com isso, torna-se um grande desafio a busca do desvelamento das faces ocultas que se escondem por detrás da malha escolar. O problema da violência não é um sintoma exclusivo da estruturante rede escolar, mas, que, também, se vê influenciado por uma estrutura macro, que se sobrepõe a estrutura da escola, além das outras estruturas que, através de seus próprios interesses, busca influenciar diretamente no sistema de ensino.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. Trad. de Catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya. Revisão técnica de Edgar de Assis Carvalho. 10.ed. – São Paulo: Cortez, Brasília, DF: Unesco: 2005.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Petrópolis, Vozes, 1977.
Atualmente, nos meios de comunicações, a escola vem sendo alvo de críticas e denúncias sobre a precarização de seu espaço e de sua ação pedagógica. Enquanto isso, os profissionais da escola reivindicam melhores condições de trabalho e mais reconhecimento. São falas conflituosas que emergem da sociedade e do seio da escola, que demonstram a complexidade do problema.
A violência dentro do espaço escolar exerce papéis que se protagonizam e colocam em cena uma escola ambígua, uma vez que, criadora e criatura da sociedade. Uma escola vista sob o ponto de vista das vozes que ecoam na sociedade como seleiro da exclusão cultural, social e econômica, mas, que, dentro dos seus muros, os seus agentes educadores choram o descaso e a vergonha a que estão submetidos.
A escola revela, nesse sentido, uma espécie de vitrine em que se expõe, em que se denuncia o quadro social existente. No entanto, seria injusto culpabilizar tão somente a escola pelo atual cenário que permeia a sociedade, embora, a educação do contexto capitalista brasileiro tenha servido mais às demandas exigidas pelo mercado, do que para a construção efetiva da cidadania.
De acordo com Foucault (2005), a escola se utiliza de procedimentos ritualizados de seleção, vigilância, controle e exclusão. Sobre isso, o autor ainda relata que o exame é um aspecto emblemático que representa e denuncia a reprodução na escola dos mecanismos de seleção e exclusão identificados na sociedade.
Se fosse possível analisar a relação entre escola e mercado como se ambos estivessem na condição de cartolas de um campeonato de luta, poderia-se dizer que a escola exerceria o papel de selecionar os lutadores, e, o Mercado, os vencedores. Como não há espaço para todos no podium, o que resta aos perdedores? A desonra, a constante humilhação através do descaso, a exclusão dos meios de afirmação pela vida produtiva, a invisisibilidade social.
No entanto, quando se fala de escola no contexto de protagonismo na gênese da violência, é prudente ressaltar que ela é apenas a ponta do iceberg, ou simplesmente, a engrenagem mais notável de um sistema. É preciso, antes de tudo, evitar uma condenação prévia e, talvez, atribuir uma responsabilidade que não é exclusiva da escola.
Para compreender essa problemática é necessário um mergulho mais profundo nas estruturas, para ir além do Sistema de Ensino, como por exemplo, chegar a perceber possíveis influências do Sistema Econômico em que está inserido o sistema de ensino.
De acordo com Morin (2005), é preciso situar as palavras em seu contexto para que adquiram sentido. Desse modo, como dito anteriormente, não é possível se enxergar a escola sem compreender que ela está hierarquicamente submetida a um sistema, que por conseguinte, está subordinado a outros sistemas e que, finalmente, atende aos interesses de determinados grupos dominantes e, por vezes, às reivindicações de outras categorias da sociedade, economicamente, enfraquecidas.
A escola se comporta ora se comporta como vítima (do sistema), ora como algoz (de alunos). Professores precarizados pela falta de formação adequada, baixos salários, carência de recursos e materiais para a realização do trabalho pedagógico, tudo isso, demonstra que a escola é alçada frente a sociedade como "testa de ferro" do sistema de ensino, que por sequência, revela-se submisso aos interesses do capital estrangeiro.
Com isso, torna-se um grande desafio a busca do desvelamento das faces ocultas que se escondem por detrás da malha escolar. O problema da violência não é um sintoma exclusivo da estruturante rede escolar, mas, que, também, se vê influenciado por uma estrutura macro, que se sobrepõe a estrutura da escola, além das outras estruturas que, através de seus próprios interesses, busca influenciar diretamente no sistema de ensino.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. Trad. de Catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya. Revisão técnica de Edgar de Assis Carvalho. 10.ed. – São Paulo: Cortez, Brasília, DF: Unesco: 2005.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Petrópolis, Vozes, 1977.
Domingo, 31 de Maio de 2009
A luz de teu caminho

POR: PAULO ANDRÉ DOS SANTOS.
Existe momentos na vida em que você se pergunta sobre a razão da sua caminhada ser tão dolorosa. Por muitos anos, a vida lhe impôs mais sacrifícios do que, propriamente, prazer e ócio. Hoje, você acaba de perceber que a sua vida inteira lhe foi tolhida a liberdade. Você foi disciplinado, doutrinado, educado, humanizado, dentro do que a sociedade lhe aspirava. Agora, você lembra que, logo na infância, você foi inserido na vida escolar, para aprender a ler e a escrever e, se obtivesse bom rendimento, poderia, mais tarde, vir a freqüentar a faculdade. Na escola, você aprendeu que tem que ser o melhor. Infelizmente, não no sentido humano da palavra, mas, simplesmente, melhor como números pragmáticos. Hoje, meu caro, você é um bom número. Tem carro, apartamento, plano de saúde, dinheiro no bolso e uma bela mulher. Tudo isso, no entanto, não lhe trouxe felicidade, por quê? Bem, talvez por que as pessoas mais importantes de sua vida ficaram para trás. Elas não conseguiram ser, aos olhos do pragmatismo, bons números. Foram separadas, tiradas de cena, excluídas, a fim de não comprometerem os bons resultados. Foram consideradas o joio na plantação, a praga que precisava ser arrancada. Nesse caminho que você tem percorrido, elas foram ficando para trás, uma a uma, até que você, finalmente, viesse a se tornar um andarilho solitário pelo caminho da vida. Agora, habitas na escuridão e na frieza de teu espírito. Teus velhos amigos...ó velhos amigos! Apesar de terem sido reprovados pelo pragmatismo, venceram na vida, pois, agora, estão felizes por que têm, pelo menos, um colo para se consolarem. E tu, quando precisares, encontrarás abrigo para a tua alma? Na verdade, meu caro, tudo tem um preço e você, como vencedor, agora, está só. E a luz de teu caminho findas lá atrás, para onde tu jamais olhastes. Você está triste pela vitória? É um preço alto a pagar? Ainda há esperança, ainda há como unir os cacos quebrantados. Voltas à velha morada com a humildade de quem não tem casa e reaverás a tua luz, terás de volta o teu brilho, acenderás a tua chama e terás de novo o suspiro da vida.
Sexta-feira, 29 de Maio de 2009
Um recado no Orkut...
POR: PAULO ANDRÉ DOS SANTOS.
Em uma fria madrugada de sexta-feira, enquanto a cidade de Salvador chorava os desastres provocados pelas chuvas, eu era o escravo mais celebre da insônia. Ouvia por inúmeras vezes a música crítica de Max Gonzaga, “classe média”. Enquanto isso, eu acessava aos meus recados no Orkut, futricando ali e aqui, nos perfis alheios. Os meus olhos foram se cansando da vista que se fazia à minha frente, as mesmas pessoas e a mesma falácia de sempre. Apesar de conectados ao mundo, a maioria das pessoas adoram criar um universo restrito em suas abordagens. Eu, infelizmente, estava incluído entre essas pessoas. De repente, um recado tosco, de muito mal gosto, que ainda, acompanhado de uma imagem necrótica, fez-me recobrar a consciência e a indignação. Mentes duentis, pensei a primeiro momento. Na verdade, não era isso. Era apenas um recorte da realidade, fatos que vitimavam a cidade naquele momento. Centenas de desabrigados, os sobreviventes náufragos do descaso, agora levados à evidência, pois, os repórteres vão aonde a notícia estiver. Não para promover mudança, mas, a fim de criar um atrativo midiático que possibilite a agência algum lucro. Fotos de corpos embalsamados pela lama das enchentes se tornam um troféu nas mãos de um repórter, ainda mais se já estiverem em decomposição. Notícia! Esse princípio e fim jornalístico é alçado à prioridade até as últimas consequências. O mais é valorizado é a vendagem, a audiência e o lucro auferido a partir disso. Já não é relevante pensar se é adequado ou não vincular determinada notícia, com esse ou aquele destaque, considerando-se a responsabilidade social embutida no fazer-notícia. O Sistema é bruto!!! Esbravejam alguns grotescamente na TV. Acabam potencializando o ódio e a violência, ao agirem dessa forma. Vão aos presídios para escarnecer dos recém chegados à ilha dos inadimplentes com a sociedade. O problema é que os inadimplentes, de acordo com o veiculado na mídia, geralmente, são os pobres. Descaradamente, omitem o dilema histórico desses sujeitos, submetidos desde a tenra infância a conviverem com(o) os ratos. Além disso, quando algum figurão é flagrado roubando dizem que é uma doença (cleptomania) ou qualquer surto psicótico. Se filho de doutor, quando usa drogas, é uma pobre vítima da depressão psicológica. Quando os tachados de filhos-de-ninguém pela burguesia são flagrados embebidos de alucinógenos, é uma pancadaria sanguinária. São chamados de vagabundos, mas, vagabundos por quê? Esse é um detalhe que não revelam em sua verdade. Eles criminalizam da pobreza como se a própria condição de pobreza já não fosse uma punição suficiente. Ao mesmo tempo em que uma dezena de coronéis desfrutam da posse, do (des)mando, de todo o dinheiro e das terras, uma galeria imensurável de pobres são explorados até a alma nos mecanismos de sub-empregos, sem pão, sem-teto, sem terra. Esse é o cenário, essa é a notícia que insiste em não ser revelada. Quando as chuvas desabam sobre a cidade, a insônia, de que fui parceiro nessa noite, passa a ser a detentora daqueles que, sem outro lugar no mundo, se vêem condenados a ficar em suas casas, penduradas nos penhascos dos morros. Enfim, é nesse lugar que se alojam os condenados à falta-de-tudo: saneamento básico, assistência médica, energia elétrica, educação, dignidade, cidadania etc.
Em uma fria madrugada de sexta-feira, enquanto a cidade de Salvador chorava os desastres provocados pelas chuvas, eu era o escravo mais celebre da insônia. Ouvia por inúmeras vezes a música crítica de Max Gonzaga, “classe média”. Enquanto isso, eu acessava aos meus recados no Orkut, futricando ali e aqui, nos perfis alheios. Os meus olhos foram se cansando da vista que se fazia à minha frente, as mesmas pessoas e a mesma falácia de sempre. Apesar de conectados ao mundo, a maioria das pessoas adoram criar um universo restrito em suas abordagens. Eu, infelizmente, estava incluído entre essas pessoas. De repente, um recado tosco, de muito mal gosto, que ainda, acompanhado de uma imagem necrótica, fez-me recobrar a consciência e a indignação. Mentes duentis, pensei a primeiro momento. Na verdade, não era isso. Era apenas um recorte da realidade, fatos que vitimavam a cidade naquele momento. Centenas de desabrigados, os sobreviventes náufragos do descaso, agora levados à evidência, pois, os repórteres vão aonde a notícia estiver. Não para promover mudança, mas, a fim de criar um atrativo midiático que possibilite a agência algum lucro. Fotos de corpos embalsamados pela lama das enchentes se tornam um troféu nas mãos de um repórter, ainda mais se já estiverem em decomposição. Notícia! Esse princípio e fim jornalístico é alçado à prioridade até as últimas consequências. O mais é valorizado é a vendagem, a audiência e o lucro auferido a partir disso. Já não é relevante pensar se é adequado ou não vincular determinada notícia, com esse ou aquele destaque, considerando-se a responsabilidade social embutida no fazer-notícia. O Sistema é bruto!!! Esbravejam alguns grotescamente na TV. Acabam potencializando o ódio e a violência, ao agirem dessa forma. Vão aos presídios para escarnecer dos recém chegados à ilha dos inadimplentes com a sociedade. O problema é que os inadimplentes, de acordo com o veiculado na mídia, geralmente, são os pobres. Descaradamente, omitem o dilema histórico desses sujeitos, submetidos desde a tenra infância a conviverem com(o) os ratos. Além disso, quando algum figurão é flagrado roubando dizem que é uma doença (cleptomania) ou qualquer surto psicótico. Se filho de doutor, quando usa drogas, é uma pobre vítima da depressão psicológica. Quando os tachados de filhos-de-ninguém pela burguesia são flagrados embebidos de alucinógenos, é uma pancadaria sanguinária. São chamados de vagabundos, mas, vagabundos por quê? Esse é um detalhe que não revelam em sua verdade. Eles criminalizam da pobreza como se a própria condição de pobreza já não fosse uma punição suficiente. Ao mesmo tempo em que uma dezena de coronéis desfrutam da posse, do (des)mando, de todo o dinheiro e das terras, uma galeria imensurável de pobres são explorados até a alma nos mecanismos de sub-empregos, sem pão, sem-teto, sem terra. Esse é o cenário, essa é a notícia que insiste em não ser revelada. Quando as chuvas desabam sobre a cidade, a insônia, de que fui parceiro nessa noite, passa a ser a detentora daqueles que, sem outro lugar no mundo, se vêem condenados a ficar em suas casas, penduradas nos penhascos dos morros. Enfim, é nesse lugar que se alojam os condenados à falta-de-tudo: saneamento básico, assistência médica, energia elétrica, educação, dignidade, cidadania etc.
Segunda-feira, 18 de Maio de 2009
Meu Deus do céu! Gandhi é brasileiro.
POR: PAULO ANDRÉ DOS SANTOS.
Quem diria? Quem pensava? Tenho certeza, ninguém imaginava. Nossa senhora do céu! Gandhi é brasileiro. Alguém com tamanha maestria, com tanto gingado, jogo de cintura, rebolado, só poderia ser brasileiro. Sentado à mesa de bar, disposto a relaxar, a brincar e a dançar, eu nada esperava, nada queria saber. Simplesmente, queria esquecer. Eu queria, êta! Meu camarada, era mesmo me espalhar. Aí, como que não quer nada, sem jeito, sem hora adequada, vem e me aparece um camarada. Êta! Que rapaz de proseado sô, de língua aberta, escancarada. Eis que me falou, o que ninguém cogitava. Seu nome era Gandhi, nascido em Cana Brava. Ele descia no chão, arrematava o canhão – que boca-de-espuma que nada – esse cara era o Gandhi, rapaz seresteiro, amigo do mundo inteiro, que não queria confusão. Aí, ele foi pra índia, atrás de uma brotinha, que o deixou arriado, amarradão. Depois, decepcionado, louco, atrapalhado, resolveu abrir em um declamado o seu coração. Não é que deu certo sô, a moça viu de perto, com tamanha comoção. Aquele homem franzino, pobre, pequenino, na frente de um canhão. Depois disso, você já sabe, pois, a história que contam aqui na cidade, como nasceu a liberdade, através de um homem de paixão. Pela paz, pela vida, salvo a ferida, que lhe cicatrizara no coração. Esse era o Gandhi, rapaz de Cana Brava, sabia onde estava, o que queria, o que lhe dava razão. Era um homem forte, também de muita sorte, no amor e na profissão. Estava empregado, ganhava bem, era agraciado pelo filho do patrão. Êta! Rapaz de sorte sô, ganhou um eco-esporte sem ter feito nada não. Andando pelas ruas, lá vai Gandhi proclamando a paz e o amor no coração. Decerto por isso, ninguém com compromisso, motivado pelo rebuliço, apareceu hoje à reunião. Estou eu aqui solitário, presente nesse plenário, sem quorum, sem operário, sem patrão. No entanto, sinto-me feliz, animado, extrovertido, sou amigo de um grande cidadão.
Quem diria? Quem pensava? Tenho certeza, ninguém imaginava. Nossa senhora do céu! Gandhi é brasileiro. Alguém com tamanha maestria, com tanto gingado, jogo de cintura, rebolado, só poderia ser brasileiro. Sentado à mesa de bar, disposto a relaxar, a brincar e a dançar, eu nada esperava, nada queria saber. Simplesmente, queria esquecer. Eu queria, êta! Meu camarada, era mesmo me espalhar. Aí, como que não quer nada, sem jeito, sem hora adequada, vem e me aparece um camarada. Êta! Que rapaz de proseado sô, de língua aberta, escancarada. Eis que me falou, o que ninguém cogitava. Seu nome era Gandhi, nascido em Cana Brava. Ele descia no chão, arrematava o canhão – que boca-de-espuma que nada – esse cara era o Gandhi, rapaz seresteiro, amigo do mundo inteiro, que não queria confusão. Aí, ele foi pra índia, atrás de uma brotinha, que o deixou arriado, amarradão. Depois, decepcionado, louco, atrapalhado, resolveu abrir em um declamado o seu coração. Não é que deu certo sô, a moça viu de perto, com tamanha comoção. Aquele homem franzino, pobre, pequenino, na frente de um canhão. Depois disso, você já sabe, pois, a história que contam aqui na cidade, como nasceu a liberdade, através de um homem de paixão. Pela paz, pela vida, salvo a ferida, que lhe cicatrizara no coração. Esse era o Gandhi, rapaz de Cana Brava, sabia onde estava, o que queria, o que lhe dava razão. Era um homem forte, também de muita sorte, no amor e na profissão. Estava empregado, ganhava bem, era agraciado pelo filho do patrão. Êta! Rapaz de sorte sô, ganhou um eco-esporte sem ter feito nada não. Andando pelas ruas, lá vai Gandhi proclamando a paz e o amor no coração. Decerto por isso, ninguém com compromisso, motivado pelo rebuliço, apareceu hoje à reunião. Estou eu aqui solitário, presente nesse plenário, sem quorum, sem operário, sem patrão. No entanto, sinto-me feliz, animado, extrovertido, sou amigo de um grande cidadão.
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